Justiça mantém investigação sobre Bastidor.PE e não impede eventual busca da PF
A disputa em torno da imagem de um suposto panfleto contra a governadora Raquel Lyra ganhou um novo capítulo na Justiça Eleitoral. O TRE-PE rejeitou o pedido liminar apresentado por Rodrigo Ambrósio e Fillipe Vilar, responsáveis pelo Bastidor.PE, que buscavam interromper as diligências e se proteger previamente de uma eventual busca e apreensão.
A decisão não autorizou nenhuma busca. O que o tribunal fez foi manter aberta a possibilidade de a Polícia Federal solicitar uma medida desse tipo, caso apresente justificativas específicas e obtenha autorização judicial. O centro da investigação é a origem da fotografia de um panfleto com ataques à governadora. A Justiça determinou que sejam esclarecidas as circunstâncias em que a imagem foi produzida, recebida e publicada, incluindo informações técnicas do arquivo, como eventuais metadados.
O caso também colocou em discussão o sigilo da fonte jornalística. A defesa sustenta que entregar arquivos e informações poderia comprometer a identidade de uma fonte. O TRE, porém, destacou que a proteção constitucional ao sigilo não significa imunidade absoluta para eventuais registros ou atos produzidos diretamente pelos responsáveis pela publicação.
Politicamente, o episódio revela o tamanho da tensão provocada pelos panfletos. De um lado, há a necessidade de descobrir quem produziu e colocou a imagem em circulação; de outro, existe o risco de que uma investigação dessa natureza avance sobre garantias fundamentais da atividade jornalística.
O ponto central agora é encontrar o equilíbrio: investigar a possível origem de um material eleitoral suspeito sem transformar a apuração em ameaça à liberdade de imprensa. O mérito do habeas corpus ainda será analisado pelo TRE-PE, e qualquer eventual busca dependerá de uma nova decisão judicial.

