Revista de direita expõe uso de avião da saúde para agendas políticas da governadora de Pernambuco
Após denúncia da Folha de São Paulo, o caso envolvendo o uso de um avião da saúde de Pernambuco para fins políticos tem ganhado repercussão nacional. Dessa vez, a revista de direita e conservadora (Revista Oeste) repercutiu o uso indevido da aeronave por parte da governadora Raquel Lyra (PSD).
A Folha já tinha mostrado provas documentais de que o avião usado para o transporte de pacientes foi utilizado como “jato vip” da governadora, chegando ao ponto de mandarem retirar os equipamentos de saúde da aeronave para esse uso particular. A denúncia também mostrou provas de que uma paciente precisou ser transportada no avião, mas, como a governadora estava usando, o Estado teve que alugar uma aeronave para fazer isso ao custo de 100 mil reais dos cofres públicos.
O avião, um modelo King Air 260 adquirido por cerca de R$ 64,3 milhões em 2025, foi apresentado pelo governo estadual como um reforço para operações aeromédicas e transporte de pacientes em situações de urgência. No entanto, registros apontam que a aeronave também vem sendo empregada em deslocamentos da chefe do Executivo para compromissos institucionais e agendas oficiais.
Segundo reportagens publicadas na imprensa, em algumas ocasiões o kit médico instalado na aeronave precisou ser removido temporariamente para adequar o avião ao transporte de autoridades. Durante um desses períodos, serviços de remoção de pacientes e transporte de órgãos para transplante foram realizados por uma empresa terceirizada contratada pelo Estado.
O governo pernambucano afirma que não houve prejuízo às operações de saúde e sustenta que a utilização da aeronave segue critérios técnicos, legais e operacionais.
A discussão ocorre em meio ao ano eleitoral e reacende o debate sobre o uso de bens públicos, especialmente quando equipamentos apresentados como destinados à área da saúde passam a desempenhar outras funções administrativas. Enquanto críticos questionam a prioridade dada aos deslocamentos da governadora, o Palácio do Campo das Princesas argumenta que a legislação permite esse tipo de utilização e que a maior parte das viagens da gestora continua sendo realizada em voos comerciais.

