Jornal da Record revelou gabinete do ódio criado por Raquel Lyra para atacar João Campos
Investigação apura possível uso de estrutura digital para atacar adversários políticos durante a disputa eleitoral em Pernambuco
A Polícia Federal investiga, em Pernambuco, uma empresa suspeita de estar relacionada a uma rede de páginas e perfis utilizados para disseminar conteúdos falsos e ataques contra adversários políticos. O caso ganhou repercussão após reportagem exibida pelo Jornal da Record, que apontou também a existência de contratos entre a empresa e o Governo de Pernambuco.
Segundo a reportagem, a estrutura digital seria formada por mais de 300 perfis capazes de publicar e compartilhar conteúdos de maneira coordenada. O principal alvo identificado seria João Campos (PSB), candidato ao Governo de Pernambuco e adversário político da governadora Raquel Lyra (PSD) nas eleições de 2026.
Gravação é um dos elementos da investigação
Um dos elementos apresentados na apuração é uma gravação realizada durante uma reunião em um restaurante no Recife. Nas imagens, Amizadai Andrade da Silva, funcionário da Caixa Econômica Federal cedido à Secretaria Estadual de Turismo, aparece discutindo estratégias relacionadas à atuação de páginas e perfis nas redes sociais.
De acordo com o material divulgado pela Record, Amizadai seria responsável por uma rede com centenas de perfis e utilizaria o termo “desidratar” para se referir à estratégia de enfraquecimento político de adversários.
A reportagem também afirma que, durante a reunião, ele teria relatado ter sido chamado pela governadora Raquel Lyra para atuar contra João Campos. A declaração é um dos pontos que deverão ser esclarecidos pelas autoridades. Até o momento, a investigação não representa uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal ou eleitoral da governadora ou dos demais envolvidos.
Empresa recebeu recursos públicos
A rede investigada estaria ligada ao Portal de Prefeitura, página que possui mais de 300 mil seguidores nas redes sociais. O portal pertence à empresa Portal Comunicação e Marketing Ltda., da qual Amizadai já foi sócio.
Segundo a reportagem, a empresa mantém contratos de publicidade com o Governo de Pernambuco desde 2023 e recebeu mais de meio milhão de reais por serviços prestados. Outras informações divulgadas posteriormente apontam que os pagamentos relacionados a 2026 teriam ultrapassado R$ 186 mil entre março e julho.
O governo estadual, por sua vez, afirmou que a publicidade oficial é distribuída por agências contratadas por meio de licitação e seguindo critérios técnicos, como audiência, alcance e custo. Segundo a Secretaria de Comunicação, os valores destinados ao veículo em 2026 correspondem a aproximadamente 0,3% do investimento permitido para publicidade no período.
Caso chega ao período eleitoral
As suspeitas surgem em meio à disputa pelo Governo de Pernambuco, marcada pela polarização entre Raquel Lyra e João Campos. A possível utilização coordenada de perfis para influenciar a opinião pública tornou-se, por isso, um dos principais pontos da investigação.
Além da Polícia Federal, denúncias relacionadas à existência de redes de ataques nas redes sociais também estão sendo analisadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). Após a produção da reportagem, alguns dos perfis mencionados no material teriam sido retirados do ar.
João Campos reagiu às denúncias e afirmou que não pretende se intimidar com os ataques. O candidato também anunciou que deverá adotar medidas judiciais para apurar o caso.
As investigações ainda estão em andamento. Caberá às autoridades verificar se houve, de fato, uma operação coordenada de desinformação, qual seria a origem dos recursos utilizados e se existiu alguma relação entre contratos de publicidade pública e eventual atuação política contra adversários.

