Fraude nas Americanas: Polícia Federal investiga bilionários e banqueiros por prejuízo de R$ 54 bilhões
Redação
26/06/2026 12:00
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a Operação Disclosure para investigar um esquema fraudulento nas Lojas Americanas que ocultou dívidas e inflou lucros. O escândalo, que desaguou na recuperação judicial da varejista, levou a Justiça a determinar o bloqueio de até R$ 54 bilhões em bens dos investigados.
O Coração do Esquema: Risco Sacado e VPCs
Segundo a apuração da PF e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a diretoria anterior da companhia operava uma fraude estruturada nas demonstrações financeiras. Os principais mecanismos utilizados foram:
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- Risco Sacado: Modalidade em que um banco adianta o pagamento a fornecedores e a varejista passa a dever à instituição financeira. Nas Americanas, essas obrigações financeiras eram simplesmente retiradas das contas de fornecedores, reduzindo artificialmente a dívida informada ao mercado.
- Verbas de Propaganda Cooperada (VPCs): Incentivos comerciais concedidos por fornecedores. A investigação aponta que esses contratos eram criados artificialmente e contabilizados sem nenhum lastro econômico, maquiando os resultados operacionais e o caixa da empresa.
O Avanço das Investigações: A Segunda Fase da Operação Disclosure
Com base em acordos de delação premiada, a corporação avançou para uma nova etapa focada em apurar a extensão do escândalo corporativo. Pelo menos nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela Polícia Federal no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Os alvos foram expandidos e passaram a incluir:
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- Acionistas de referência: Empresários como Carlos Alberto Sicupira e Paulo Alberto Lemann (filho de Jorge Paulo Lemann).
- Executivos do setor financeiro: Profissionais de grandes instituições (como Itaú, Bradesco e Santander) também entraram na mira da força-tarefa, que busca entender se houve conivência ou participação direta no acobertamento das distorções contábeis.
O Posicionamento dos Envolvidos
O desdobramento tem gerado reações distintas entre os citados:
- Acionistas: A defesa dos acionistas de referência emitiu nota afirmando ter sido surpreendida pela operação e alegando que o Conselho de Administração e os controladores foram enganados pela antiga diretoria da companhia.
- Bancos: As instituições financeiras investigadas declararam publicamente que colaboram com as autoridades e que forneceram documentos comprovando a lisura de suas condutas.
- Lojas Americanas: A varejista não foi alvo de mandados de busca e ressaltou que segue colaborando ativamente com o Ministério Público Federal.

