Produtora do filme de Bolsonaro contratou membro do PCC para contrato de R$ 12 milhões
Redação
26/06/2026 08:00
As investigações conduzidas pelas polícias Civil e Federal, sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ganharam um novo capítulo que agrava a crise no entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro. Relatórios de inteligência revelaram que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG ligada diretamente à produção do filme “Dark Horse“ (cinebiografia de Bolsonaro), subcontratou um membro de destaque do Primeiro Comando da Capital (PCC) para atuar em um projeto de inclusão digital da Prefeitura de São Paulo.
O alvo central da descoberta é o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, conhecido internamente no crime organizado pelo codinome “Escorpião do PCC” ou “Baianão”.
O Elo Financeiro: Do Wi-Fi Público ao Cinema
O caso se origina em um convênio milionário de R$ 108 milhões firmado entre o ICB — presidido pela empresária Karina Pereira da Gama — e a Prefeitura de São Paulo. O objetivo do contrato público era a instalação e manutenção de 5.000 pontos de internet gratuita em comunidades periféricas da capital paulista. Karina Gama também é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pela execução executiva de “Dark Horse”.
Para executar o serviço nas zonas Sul e Oeste de São Paulo, o ICB subcontratou a empresa de Alex Santos, a Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda..
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- O valor teto previsto que a empresa do integrante do PCC poderia receber chegava a R$ 12 milhões.
- Investigadores já rastrearam uma transferência direta de R$ 2 milhões realizada do ICB para as contas da Favela Conectada.
A principal linha de investigação apura se houve um esquema de triangulação de verbas e lavagem de dinheiro. A suspeita é de que parte dos recursos do contrato do Wi-Fi Livre, inflados por emendas parlamentares, tenha sido desviada para financiar a infraestrutura de produção e divulgação do filme “Dark Horse”.
Quem é o “Escorpião do PCC”?
De acordo com o Ministério Público e com as polícias paulistas, Alex Santos não é um ator periférico no crime. Ele acumulava um histórico extenso de condenações por roubo majorado (com restrição de liberdade da vítima e uso de arma), estelionato, receptação e falsa identidade. Relatórios de interceptação telefônica mostram o empresário se vangloriando de sua patente criminosa, autodenominando-se “Escorpião” e afirmando possuir “irmãos” no alto escalão da facção. Ele também já cumpriu pena no passado pelo sequestro de um sobrinho do deputado Eduardo Suplicy.
Atualmente, Alex Santos encontra-se preso preventivamente. Ele responde como réu por feminicídio qualificado decorrente da morte de sua companheira, Maria Katiane Gomes da Silva. Maria Katiane caiu do 10º andar de um prédio residencial após ter sido violentamente espancada por Alex. Curiosamente, a assinatura de Maria Katiane consta como testemunha nos contratos originais firmados entre Alex e a produtora Karina Gama.
Desdobramentos Políticos e Judiciais
A descoberta do elo com o PCC tensionou os bastidores de Brasília e de São Paulo. No STF, parlamentares de oposição ao bolsonarismo, liderados pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), protocolaram pedidos para que a Polícia Federal aprofunde o escopo da apuração. O foco está na conexão entre o financiamento do longa-metragem, o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro (apontado como investidor do projeto), e as agendas internacionais do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
As partes envolvidas negam irregularidades e rechaçam as acusações:
- Defesa de Alex Santos: O advogado Eugênio Malavasi declarou formalmente que seu cliente não possui qualquer tipo de vínculo ou ligação com o PCC.
- Instituto Conhecer Brasil (ICB): A entidade declarou que desconhecia os antecedentes criminais e o suposto envolvimento de Alex Santos com organizações criminosas no momento da subcontratação. A defesa da ONG reitera que nenhum centavo de dinheiro público do contrato de Wi-Fi foi aportado na produção de “Dark Horse”.
- Prefeitura de São Paulo: A gestão municipal informou que os pontos de Wi-Fi previstos no contrato foram devidamente entregues e estão operando. Em nota, destacou que o município possui relação jurídica estritamente com o ICB e acrescentou que a Favela Conectada foi desligada do projeto pelas contratantes.

