Ministério Público investiga superlotação, desabamentos e falta de higiene em hospitais de Pernambuco
Redação
27/06/2026 22:43
O colapso estrutural e sanitário na rede estadual de saúde de Pernambuco entrou formalmente na mira de uma grande ofensiva fiscalizatória do Ministério Público do Estado (MPPE). A instituição instaurou uma série de procedimentos investigativos para apurar denúncias graves que apontam para um cenário de degradação sistêmica em importantes hospitais da Região Metropolitana do Recife, colocando em risco a vida de pacientes e as condições de trabalho dos profissionais de saúde.
As investigações ganharam força após relatórios técnicos e inspeções parlamentares documentarem episódios críticos de abandono da infraestrutura hospitalar. Entre os casos mais alarmantes que motivaram a abertura dos inquéritos civis, destacam-se:
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- Hospital da Restauração (HR): Alvo de apuração devido a sinistros estruturais recorrentes, incluindo o desabamento do teto de gesso no sétimo andar e panes constantes no sistema de elevadores.
- Hospital Agamenon Magalhães: Investigado por superlotação crônica de leitos e denúncias de contaminação biológica em alas de atendimento.
- Hospital Geral de Areias: Sob fiscalização por abrigar enfermarias superlotadas e enfrentar infestações de vetores e roedores.
A gravidade do panorama assistencial fez com que o Ministério Público ramificasse as frentes de atuação. Relatos de infestações severas de cupins provocando crises alérgicas em pacientes no Hospital Ulysses Pernambucano e quedas de forro na UTI Neonatal do Hospital Barão de Lucena também foram anexados a procedimentos específicos de acompanhamento.
Além do colapso físico das unidades, a promotoria estendeu o cerco para o campo da probidade administrativa. Suspeitas de irregularidades contratuais, dispensas indevidas de licitações e falhas na prestação de contas de Organizações Sociais de Saúde (OSS) — responsáveis pela gestão de unidades como o Hospital Mestre Vitalino e UPAs — foram encaminhadas para as Promotorias de Defesa do Patrimônio Público.
Em resposta à crise, a Secretaria Estadual de Saúde tem defendido que executa um plano de reestruturação de médio e longo prazo. Segundo a gestão pública, investimentos milionários estão sendo direcionados para a substituição de equipamentos obsoletos e reformas de setores de alta complexidade, com o desafio técnico de manter os serviços funcionando em meio às intervenções de engenharia.

