148 milhões: Jornal da Record expõe suposta fraude milionária no governo de Pernambuco
Redação
07/07/2026 11:21
A promessa de modernização e melhoria na infraestrutura das escolas públicas de Pernambuco transformou-se em um complexo emaranhado de investigações fiscais. Contratos milionários firmados pelas esferas estadual entraram na mira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e do Ministério Público, revelando como a ausência de mecanismos rigorosos de controle prévio pode lesar os cofres públicos e comprometer o aprendizado de milhares de estudantes.
O cenário de alerta ganhou tração após auditorias especiais identificarem distorções severas em planilhas orçamentárias. O caso mais emblemático na rede estadual envolve um contrato de engenharia com a Cetus Construtora. Pactuado inicialmente em R$ 148,2 milhões, o acordo sofreu um aditivo de 25%, saltando para mais de R$ 185 milhões. O que chamou a atenção dos auditores, contudo, não foi apenas o valor global, mas o sobrepreço em itens básicos: a instalação de aparelhos de ar-condicionado registrou uma inflação de 274% em relação aos valores praticados no mercado.
Segundo a denúncia, entre as irregularidades, estão “ocultação de documentação pública” e até a “instalação de ar-condicionado com sobrepreço de 274%”.
A fiscalização esbarrou em um obstáculo puramente burocrático. Ao tentar emitir medidas cautelares para suspender os pagamentos e evitar o fluxo do dinheiro sob suspeita, o TCE-PE recebeu a justificativa do Executivo estadual de que os montantes bilionários investigados já haviam sido totalmente liquidados e pagos. Esse descompasso temporal expõe uma fragilidade crônica: a fiscalização muitas vezes atua de forma reativa, restando apenas a busca pelo ressarcimento posterior ao dano consumado.
O Custo Social da Improbidade
A consequência direta de supostos superfaturamentos de insumos como climatizadores e painéis solares é a asfixia financeira do desenvolvimento pedagógico. Recursos que poderiam financiar a capacitação docente, a compra de material didático atualizado ou a expansão de vagas em tempo integral acabam retidos no superfaturamento de itens de infraestrutura.
A Secretaria de Educação de Pernambuco afirmou colaborar com a auditoria do TCE-PE, destacando que o vínculo expirou em 10 de junho de 2026 e não havia saldo contratual.

