Tarifaço de 25% dos EUA ao Brasil passa a valer nesta quarta-feira.
A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma ampla lista de produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira (22), marcando mais um capítulo da disputa comercial entre os dois países. A cobrança passa a ser aplicada às importações realizadas pelos EUA e afeta milhares de itens exportados pelo Brasil, embora diversos produtos estratégicos permaneçam fora da medida.
Na prática, a tarifa é paga pelos importadores norte-americanos no momento da entrada das mercadorias nos Estados Unidos. Segundo as regras divulgadas pelas autoridades americanas, produtos que já estavam em trânsito antes do início da vigência permanecem isentos, desde que cheguem ao território americano dentro do prazo de transição estabelecido pelo governo dos EUA.
A medida foi adotada após uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O governo americano afirma que a decisão está relacionada ao que considera práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos em áreas como comércio digital, combate à corrupção e outras políticas comerciais brasileiras. O governo brasileiro rejeita essas justificativas e sustenta que elas não refletem a realidade da relação econômica entre os dois países.
Apesar do impacto sobre parte das exportações, alguns dos principais produtos vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos ficaram de fora da nova cobrança. Entre os itens isentos estão café, carne bovina, suco de laranja, aeronaves e determinados componentes considerados importantes para cadeias produtivas americanas. A exclusão desses produtos reduz parte dos efeitos imediatos sobre o comércio bilateral.
O governo brasileiro informou que continuará buscando uma solução por meio do diálogo diplomático e comercial. Entre as medidas estudadas estão linhas de apoio aos setores exportadores afetados, ampliação da busca por novos mercados internacionais e manutenção das negociações com Washington. Até o momento, o Brasil não anunciou a aplicação imediata de tarifas de retaliação, apesar de possuir instrumentos legais que permitem uma resposta comercial caso considere necessário.
Especialistas avaliam que o impacto econômico dependerá do comportamento das empresas importadoras e da capacidade dos exportadores brasileiros de redirecionar parte da produção para outros mercados. Há ainda incertezas sobre possíveis novas medidas comerciais dos Estados Unidos nas próximas semanas, o que mantém o cenário de atenção para empresas dos dois países.

