Auditoria do SUS aponta repasses irregulares a hospital de marido de vice-governadora em PE
Redação
13/08/2026 21:34
Uma auditoria recente do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) revelou que a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizada em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, recebeu verbas federais por serviços que não foram devidamente comprovados. A instituição de saúde privada pertence ao médico Jorge Branco, marido da atual vice-governadora do estado, Priscila Krause. O órgão de controle agora exige a devolução integral de R$ 905 mil aos cofres públicos.
A fiscalização detalhada debruçou-se sobre um montante expressivo de R$ 55,8 milhões repassados à unidade de saúde entre os anos de 2023 e 2025.
Serviços fantasma e fragilidade contratual
De acordo com o relatório técnico do Denasus, o principal problema identificado foi o faturamento de procedimentos de média e alta complexidade — incluindo cirurgias oncológicas e tratamentos contra o câncer — sem que houvesse qualquer documentação médica que comprovasse a efetiva realização dos atendimentos nos pacientes.
Além dos serviços sem comprovação, os auditores federais listaram outras falhas graves na relação entre a gestão pública e o hospital de Garanhuns:
- Pulverização de contratos: A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) firmou seis termos de credenciamento simultâneos com a mesma unidade, o que fragmentou a fiscalização e enfraqueceu os mecanismos de controle.
- Falta de indicadores: Por ser a única opção privada com leitos de UTI e atendimento oncológico na região governamental, o hospital foi credenciado sem a exigência de metas claras de desempenho ou cumprimento de prazos.
- Conflito ético: O documento do Denasus destaca que a relação conjugal do sócio-proprietário com a vice-governadora eleva o risco de violação aos princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade na administração pública.
Investigação e posicionamento
O pente-fino do órgão federal teve início após denúncias apontarem um crescimento atípico no volume de recursos destinados ao hospital privado a partir de 2023, coincidindo com o início do atual mandato no Executivo estadual. O caso também gerou desdobramentos na esfera policial, com um pedido de abertura de inquérito encaminhado pela Polícia Federal ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em nota oficial, a Secretaria de Saúde de Pernambuco contestou as conclusões preliminares da auditoria. A pasta estadual informou que pretende recorrer judicialmente do relatório e que solicitará uma revisão técnica detalhada das glosas e apontamentos feitos pelo Denasus.

