A polêmica e incerta candidatura de Pablo Marçal à Presidência
Redação
19/08/2026 12:00
No último dia 15 de agosto, o empresário e influenciador digital oficializou sua candidatura à Presidência da República pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). A movimentação, no entanto, ocorre sob a sombra de uma condenação que o tornou inelegível até 2032 devido a abusos cometidos nas eleições municipais de 2024. A investida ousada coloca a Justiça Eleitoral sob os holofotes e projeta um cenário de extrema incerteza para a corrida presidencial.
O Limbo Jurídico: Campanha Autorizada, Mas com Prazo de Validade?
Especialistas em direito eleitoral apontam que a estratégia de Marçal explora uma brecha comum no sistema brasileiro. Beneficiado por uma liminar de primeira instância obtida em Santana de Parnaíba (SP), ele conseguiu validar sua filiação ao PRTB retroativamente, contornando o prazo legal que havia expirado em abril.
Pelas regras vigentes, qualquer cidadão que apresente um pedido de registro partidário formal tem o direito de se comportar como candidato até que o mérito seja julgado na última instância. Na prática, isso significa que:
- Marçal está autorizado a fazer campanha nas ruas e redes sociais.
- A chapa pode movimentar recursos vindos do fundo eleitoral.
- O nome do influenciador constará nos primeiros grandes levantamentos de intenção de voto.
Apesar da ofensiva inicial, o clima nos corredores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é de ceticismo. Interlocutores e ministros avaliam reservadamente que a inelegibilidade do influenciador é flagrante. Diante disso, a Corte planeja julgar o registro em caráter definitivo já no início de setembro, com forte tendência de rejeição da chapa.
A pressa do tribunal se justifica pela enxurrada de contestações que o candidato já sofre. O partido Novo de Goiás, por exemplo, protocolou uma ação de impugnação apontando falhas graves no cumprimento dos prazos partidários e criticando a ausência de um plano de governo estruturado por parte do PRTB.
Bilhões “Fantasmas” e a Chapa dos Criptomilionários
Se a situação jurídica já atraía a atenção da mídia, a declaração de bens de Pablo Marçal e de seu vice adicionou combustível à fogueira das redes sociais.
Ao registrar a candidatura, a plataforma do TSE exibiu um patrimônio assustador atribuído a Marçal: mais de R$ 7 bilhões. Três dias depois, no dia 18 de agosto, a equipe do candidato veio a público corrigir a informação, alegando um “erro de digitação” na inserção de investimentos de renda fixa. O patrimônio real consolidado e corrigido do influenciador ficou fixado em R$ 149,9 milhões.
Ainda assim, a chapa não carece de cifras impressionantes. O candidato a vice-presidente, Leonardo Avalanche — que também preside o PRTB —, declarou um patrimônio de R$ 495 milhões. O dado mais chamativo do documento é a alocação desses recursos: impressionantes 99% do montante de Avalanche (R$ 491 milhões) estão investidos em criptomoedas.
O Impacto no Tabuleiro Político
A presença — mesmo que temporária — de Marçal no cenário mexe com as calculadoras de cientistas políticos. A expectativa agora gira em torno do próximo dia 21 de agosto, quando o instituto Datafolha divulgará a primeira pesquisa oficial de intenção de voto à Presidência contendo o nome do influenciador nos cenários estimulados.
Nos bastidores, o tom adotado por Marçal é de cálculo estratégico. Ele tem evitado ataques diretos ao senador Flávio Bolsonaro, nome forte da ala da direita tradicional. Em declarações recentes, o influenciador afirmou que sua intenção não é fragmentar os votos do espectro conservador, o que, segundo sua análise, pavimentaria o caminho para a reeleição do presidente Lula.
Resta saber se a “guerra jurídica” pretendida pela equipe de Marçal terá fôlego para superar os prazos do TSE ou se a candidatura será interrompida antes mesmo do início do horário eleitoral gratuito na televisão.

