Após fala sobre laqueadura Raquel Lyra perde pontos nas pesquisas: público feminino muda voto para João Campos
Redação
29/09/2026 12:19
, atualizado 29/09/2026 12:24
A disputa ao Governo de Pernambuco ganhou um tenso capítulo em setembro de 2026 após a repercussão de um vídeo gravado em maio de 2025 envolvendo a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra. Nas imagens registradas em um hospital de Garanhuns, a gestora sugere colocar uma gestante com sete filhos na fila da laqueadura, complementando com a frase: “Mas faz sem ela saber”. O episódio provocou forte reação de opositores, movimentos sociais e acendeu o alerta na campanha governista a poucos dias do pleito.
Reações e o Impacto Político
A declaração gerou desgaste imediato por colidir diretamente com os direitos reprodutivos e a legislação brasileira. A Lei do Planejamento Familiar (Lei nº 9.263/1996) exige o consentimento expresso e por escrito para qualquer procedimento de esterilização, tornando a menção a uma cirurgia sem autorização o principal alvo de críticas de adversários políticos.
O caso atinge o núcleo de uma disputa acirrada no estado, onde o eleitorado feminino é considerado decisivo. Críticos apontaram a fala como uma violação da autonomia das mulheres, enquanto a oposição utilizou o material para questionar as diretrizes de saúde pública da atual gestão.
Retratação e Contenção de Danos
Diante da crise, Raquel Lyra usou suas redes sociais para fazer um pronunciamento oficial de retratação. A governadora classificou o próprio comentário como “equivocado” e “errado”, pedindo desculpas públicas e afirmando que a fala infeliz não reflete o respeito que possui pelas mulheres e pelas mães pernambucanas.
A coordenação de campanha corre contra o tempo para conter os danos à imagem da candidata, focando a narrativa na divulgação de programas estaduais voltados à saúde da mulher para tentar neutralizar o desgaste e reestabelecer a estabilidade nas intenções de voto.
O Tombo no Segmento Feminino (Dados da Pesquisa Quaest)
Conforme apontado pelo cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, o episódio da laqueadura alterou sensivelmente o comportamento exclusivo das eleitoras: [1]
- Antes do vídeo: O cenário apontava um equilíbrio extremo no voto feminino, com João Campos registrando 39% contra 38% de Raquel Lyra. [1]
- Após o vídeo: João Campos abriu uma vantagem de 9 pontos percentuais, subindo para 43% das intenções de voto entre as mulheres, enquanto a governadora recuou para 34%. [1]

