Por que o ex-assessor de Bolsonaro, que é evangélico, quis atacar Nossa Senhora Aparecida?
Redação
29/09/2026 12:05
, atualizado 29/09/2026 12:08
Em novembro de 2007, o então deputado federal Professor Victório Galli (PMDB-MT) apresentou à Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2623/2007. A proposta tinha como objetivo modificar a Lei nº 6.802/1980, que declarou Nossa Senhora Aparecida como a Padroeira do Brasil.
O texto do parlamentar sugeria uma mudança na redação oficial da lei, substituindo o termo “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
A Justificativa do Autor
Na época, o deputado — que é pastor evangélico — justificou a proposta defendendo o princípio do Estado laico, previsto na Constituição de 1988. Segundo o argumento apresentado no projeto, o Estado brasileiro não deveria oficializar uma única santa como padroeira de toda a nação, uma vez que o país abriga cidadãos de diversas outras religiões, além de pessoas sem religião.
A Rejeição e o Arquivamento
A tramitação da proposta foi curta devido à forte reação de parlamentares católicos e da opinião pública.
- Maio de 2008: A Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara rejeitou o projeto por unanimidade. O relator, deputado Carlos Abicalil (PT-MT), argumentou que o título de Nossa Senhora Aparecida representa uma tradição cultural e histórica indissociável da identidade brasileira, indo além da questão puramente religiosa.
- Agosto de 2008: Sem receber recursos, o projeto foi arquivado definitivamente. Desde então, o PL 2623/2007 está juridicamente extinto e não pode mais ser votrado.

