Brasil rebaixa relações com a Argentina após ataques, mas Milei volta a atacar
Redação
05/08/2026 19:33
A crise diplomática entre Brasil e Argentina atingiu o seu pior patamar histórico. Após o Palácio do Planalto sinalizar descontentamento com as ofensas proferidas por Javier Milei em São Paulo, o presidente argentino optou por não recuar. Em uma nova entrevista à emissora LN+, Milei reincidiu nos ataques diretos a Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o novamente de “ladrão”, “corrupto” e “vigarista”. Como resposta imediata à insistência nas ofensas, o governo brasileiro endureceu a postura e determinou o esvaziamento das embaixadas em ambas as capitais.
A Reincidência: “Chamar um Ladrão de Ladrão”
Durante a transmissão em rede argentina, Milei defendeu o teor de suas declarações e rejeitou o tom protocolar exigido pelo Itamaraty. O líder libertário afirmou que suas palavras foram espontâneas e disparou que “é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”.
Milei repetiu a tese de que a soltura de Lula ocorreu por uma “falha processual” e um “recurso administrativo”, e não por uma absolvição de mérito. O mandatário argentino também subiu o tom ideológico ao acusar o homólogo brasileiro de “contaminar a região com as ideias imundas do socialismo”, emendando que a derrota da esquerda no Brasil em pleitos futuros seria “sempre algo bom”.
O Contra-ataque de Brasília: Esvaziamento Diplomático
Diante da nova provocação, a diplomacia brasileira abandonou a cautela e partiu para uma retaliação severa de isolamento político. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil solicitou formalmente a retirada do embaixador da Argentina em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, que deixou o país de forma oficial.
Paralelamente, o Itamaraty confirmou que o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli — que já havia sido chamado para consultas —, permanecerá no Brasil por tempo indeterminado. Com a saída mútua dos diplomatas de maior escalão, as embaixadas dos dois países agora operam no nível mínimo institucional, chefiadas temporariamente apenas por encarregados de negócios. Fontes do governo brasileiro garantem que o embaixador Bitelli não retornará à Argentina enquanto Milei persistir nos ataques pessoais.
A Posição da Casa Rosada
Do lado argentino, o Ministério das Relações Exteriores emitiu um comunicado lamentando a decisão unilateral adotada por Brasília. Contudo, em uma tentativa de conter danos econômicos ainda maiores, a Casa Rosada informou que não pretende adotar medidas de retaliação recíproca. O governo de Milei aceitou manter as relações diplomáticas no nível rebaixado exigido pelo Brasil, evidenciando o pragmatismo forçado de um país que atravessa uma severa recessão e tem no Brasil o seu principal parceiro comercial na região.

