Como a promessa de entregar nossos minerais críticos aos EUA ameaça a indústria nacional
Redação
06/10/2026 12:06
, atualizado 06/10/2026 12:07
A corrida global pela transição energética e pela supremacia tecnológica colocou o Brasil no epicentro de uma disputa silenciosa, mas feroz. Dono da segunda maior reserva mundial de terras raras, o país enfrenta um teste crucial para a sua soberania nacional. A premissa de um alinhamento automático com os Estados Unidos, defendida pela campanha de Flávio Bolsonaro, acendeu o alerta de analistas e setores progressistas: o risco iminente de rebaixar o Brasil, mais uma vez na história, à condição de mero exportador de matéria-prima bruta para alimentar o complexo industrial e de defesa de uma potência estrangeira.
A Lógica Colonial do Século XXI
A proposta de oferecer o subsolo brasileiro como a “solução” para que Washington quebre a dependência de 70% que possui da China ignora as duras lições do passado econômico da América Latina. Tratar minerais críticos — fundamentais para semicondutores, inteligência artificial e armamentos de ponta — como um “trunfo eleitoral” ou moeda de troca diplomática compromete o futuro da indústria nacional.
Ao prometer flexibilizações em licenciamentos ambientais e facilitação de acesso irrestrito a esses recursos, abre-se caminho para uma dinâmica de exploração predatória. O episódio recente envolvendo contratos que previam o envio de 100% da produção inicial de jazidas em Goiás para o mercado norte-americano ilustra perfeitamente esse cenário de vulnerabilidade.
O Perigo da Entrega Sem Contrapartida
Entregar as terras raras em estado bruto significa abrir mão do valor agregado. Enquanto o minério cru gera poucos dividendos locais e passivos ambientais profundos, o refino e a fabricação de componentes tecnológicos geram empregos de alta qualificação e riqueza real.
A estratégia de “vender o almoço para comprar a janta” é amplamente criticada por especialistas em desenvolvimento:
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- Falta de Transferência Tecnológica: Acordos focados apenas em suprir as necessidades de segurança nacional dos EUA não garantem que o conhecimento técnico de refino e fabricação de ímãs permaneça no Brasil.
- Submissão Geopolítica: O Brasil historicamente se beneficia de uma postura multilateral e pragmática. Um alinhamento cego às prioridades de Washington elimina a capacidade de barganha brasileira frente à União Europeia e à própria Ásia.
- Instabilidade Institucional: A criação de mecanismos que protegem apenas o investidor estrangeiro retira do Estado o poder de veto e regulação sobre setores estratégicos para o desenvolvimento interno. [
A Soberania Não Pode Ser Negociada
A reação do atual governo com a sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos tenta impor barreiras à exportação desenfreada, exigindo industrialização local (powershoring). No entanto, os planos de governo desenhados pela oposição conservadora sinalizam o desmonte dessas salvaguardas em nome de uma suposta “segurança do hemisfério”.
Se as riquezas minerais do Brasil forem tratadas como um balcão de negócios para obter apoio político externo, o país corre o risco de ver sua soberania dissolvida. O destino das terras raras definirá se o Brasil será um ator central da economia do futuro ou, de forma trágica, apenas o quintal de suprimentos da próxima superpotência.

